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Derretida é um conjunto de interpretações possíveis da realidade. Trata-se talvez de uma reconfiguração, na qual a luz não é observada enquanto algo imaterial, mas sim enquanto espectros e glitches que enfeitam o céu e fazem divertidas desde as mais monótonas luzes de carros passando pelas avenidas, vitrines das lojas e singelos retratos, até as já admiráveis e encantadoras paisagens naturais. Para além de uma experiência de reconfiguração dos lugares como os percebemos normalmente, o ensaio acabou trazendo algumas questões históricas e filosóficas.

Isso porque tratam-se de efeitos resultantes da própria captação da câmera – no caso uma Canon PowerShot SD780 IS – sem nenhuma pós-edição. Quando a câmera começou a se comportar dessa forma, questões surgiram: seriam as configurações nas quais a câmera estava? Pouco provável, porque ela só registrava essas imagens na função automática e esporadicamente, de modo que após a primeira ou a segunda foto a câmera voltava a operar normalmente. Assim, o mais provável é que, tendo ficado guardada por cerca de cinco anos e sem uso, a câmera talvez tenha sido exposta à umidade ou algo que a tenha obsoletado.

MAS O QUE É A OBSOLESCÊNCIA NA ERA DIGITAL? CONHECEMOS E UTILIZAMOS ESSE TERMO COM FREQUÊNCIA PARA NOS REFERIRMOS A EQUIPAMENTOS MAIS ANALÓGICOS, COMO CÂMERAS ANTIGAS, APARELHOS DE RÁDIO, TELEVISÕES DE TUBO, GELADEIRAS DOS ANOS 70 E 80, ETC. MAS O QUE É A OBSOLESCÊNCIA NA ERA DIGITAL?

Estamos adentrando um momento curioso da história, onde a tecnologia digital, a informação dispersa nas infinitas nuvens e todos os desdobramentos possíveis dessas relações velozes e incontroláveis se incorporam ao que entendemos hoje por sociedade. Assim, as fotos podem até ser uma espécie de retrato das dimensões possíveis do real, ou talvez seja um relapso do futuro.

Fotos e Texto Leonardo Antiqueira

Diagramação: Isabela Salustiano

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