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por Jonathan Wolpert

Quando criança, não entendia que não tinha pérola, e sim testículos açoitados pela mão do homem.

Só entendi quando te amei e teu dourado não cabia em mim. Apesar do teu brilho flutuar pela sala suja de risadas de moças virgens de ódio e poeira de conversas sobre sucesso, eu não conseguia te ter.

Eu não era perolada,
Tinha gosto de estranha e
passagem de só, e era só

Mas minhas salivas caíam da boca,

Ensopadas de libido, resquício do teu gosto

Comprarei bijuterias baratas e construirei
um corsário de pérolas brancas
que cobrirá meu útero inteiro.
Meu corpo inteiro será pérola e finalmente
terei o que criança não tinha.

Mesmo de pérolas falsas,

Perolada

Aun Helden veste Rodrigo Evangelista

 

Fotos Jonathan Wolpert
Poema Aun Helden
Diagramação Juliano Santana
Produção Luccas Morais e Leonardo Acromado

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